
O Show do Pingue – Pongue
Há mais coisas na mulher entre as pernas do que sonha nossa vã pornografia

O órgão sexual feminino possui uma força extraordinária. Além de fazer a fortuna dos mercados sexual, editorial e audiovisual no mundo todo, a perseguida é muito utilizada como instrumento de manipulação e poder, tanto quanto o dinheiro e a informação. Negociado por muitas mulheres como moeda de troca, ela é capaz de levar o mais forte dos homens à loucura ou à bancarrota.
Mas a maior potência que possui é sua função primordial, a reprodução da espécie. É por ali que começa uma nova vida. Portanto, o marco zero do tempo da existência de cada um de nós, tem uma grande ligação com a vagina.
E é sobre ela que vamos falar neste texto. Mais especificamente sobre seu vigor físico, comprovado no “show do pingue-pongue”, em cartaz em Bangkok, capital da Tailândia.
A Tailândia é um país fascinante. Sua cultura, sua loucura, a gastronomia apimentada, a dança das mãos, o boxe com os pés, tudo nos aparece como uma novidade primeiramente visual que, aos poucos, vai aguçando os demais sentidos.
Terra de contrastes. Templos banhados a ouro, famílias vivendo em palafitas. Belas fotos para os turistas. Nos hotéis, entre os serviços oferecidos aos hóspedes, está a massagem tailandesa, com ou sem óleo. Antes, uma cerveja Singa.
O hóspede coloca um roupão e vai para um quarto. Em seguida, entra uma tailandesa – geralmente menos bonita do que o sujeito desejava –, dá um sorriso curto, junta as mãos e curva levemente a cabeça para cumprimentá-lo, leva o camarada pra cama, os dois ficam pelados e ela começa pelos pés. Basicamente ela faz agradáveis pressões com as mãos, pés, joelhos e cotovelos sobre o corpo dele. O preço já está acertado antes, na recepção, mas ela sempre pede um adicional para os clientes que desejarem massagens mais íntimas. Porém, os guias não recomendam ir a fundo nesse ato devido ao alto número de casos de Aids no país.
A massagem foi só pra relaxar e preparar o leitor para o já citado show, que faz parte da programação alternativa de Bangkok, distante das sugestões das agências e dos hotéis.
O chamado “show do pingue-pongue” talvez seja um segmento do turismo sexual, que atrai pra lá cada vez mais tarados do mundo todo. A promiscuidade divide espaço com as feiras, onde se pode comprar, por exemplo, um rolex a dez dólares.
Voltando ao show, num espaço com um palco ovalado no centro, cerca de 50 pessoas em volta prestigiam o espetáculo. Um moça magra, já nua, seios pequenos, sobe ao palco com um copo na mão e uma bolinha de pingue-pongue. Começa o “show do pingue-pongue”. Ela coloca o copo no chão, dá dois passos para trás, introduz a bolinha na perereca e atira a esfera, que pinga no chão e entra no copo. Cesta!
Repete o feito dando mais um passo pra trás. Faz isso umas quatro vezes. Erra uma. Sai de cena e entra outra tailandesa pelada, desta vez com uma garrafa de Coca-Cola, daquelas de vidro, fechada. Parece mentira, mas ela abriu a tampa com a danada, bebendo também por ali todo o líquido. Não foi possível ouvir se ela arrotou.
Nova atração. Outra moça no palco, desta vez com alguns cigarros e um isqueiro. Fumou em pé, sentada, deitada. Chegou a fumar cinco de uma vez em cinco contraídas. Tudo através de seu feixe de músculos.
E várias performances vaginais se sucederam: uma escreveu “Welcome to Thailand” com uma grossa caneta entre as pernas; outra tirou de dentro uma corda de vinte metros com flores amarradas; teve uma que apagou as velas de um bolo; teve outra que introduziu água vulva adentro e voltou Coca-Cola (pelo menos parecia); além daquela que foi uma das mais impressionantes performances, quando duas moças subiram no palco, uma com bexigas, outra com um pequeno tubo na mão direita e alguns pregos miúdos na esquerda. Deitada, uma delas enfiou parte do tubo na xavasca e dentro do tubo colocou um dos pregos, enquanto a outra, em pé, jogava as bexigas pra cima. Com uma pontaria inacreditável, a jovem tailandesa estourava uma a uma as bexigas arremessadas ao alto.
Mas ainda não era o fim. O show tinha cerca de uma hora e quinze minutos. O público assistia a tudo boquiaberto.
Desta vez, uma banana seria a coadjuvante. A protagonista era novamente a dita cuja. Num dos cantos do palco sentou-se outra mulher, abriu as pernas, olhou fixamente para um espectador localizado do outro lado e começou a descascar a fruta. Retirou a casca, salivou um pouco na banana e, ainda com o olhar fixo no sujeito da primeira fila, colocou-a inteira, até que sumisse lá dentro.
O espectador, que estava a 3 metros da mulher, percebeu que, como a banana, também seria coadjuvante da cena, embora não acreditasse que pudesse ser atingido àquela distância. Mesmo assim ficou atento e, quando a tailandesa ameaçou uma contração, ele rapidamente saiu de seu assento, escapando do míssil que atingiu a cadeira. Se ficasse seria um tiro no peito. Foi o clímax do espetáculo.
Para finalizar, um casal apresentou a parte mais desinteressante de todo o show: uma performance sexual, com uma sequência de posições feita de maneira mecanizada, numa fria relação de corpos.
Na saída, não havia um turista que não estivesse abismado com o que acabara de presenciar. Tentavam entender como é que elas conseguiam fazer aquelas coisas. A experiência havia sido tão exótica que, na volta ao hotel, todos refletiam: enquanto os homens imaginavam o que aquelas nativas poderiam fazer com eles numa cama, boa parte das esposas quis saber mais sobre o pompoarismo. “O pompoar tem cerca de 3 mil anos. É uma técnica milenar das artes sexuais oriunda do Oriente e praticada em vários países. Na Tailândia, as mães ensinam suas filhas desde muito cedo”, explicou o guia.
Como se vê, há mais coisas na mulher entre as pernas do que sonha nossa vã pornografia.
publicado originalmente em
| O Caricato | número 4 | janeiro/2004 |
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