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  • Um dinossauro na Fonte Luminosa

    Marca o Bazzani!

    Bazzani

    Desenho: Lucas Lima – Cores: Kiko Lopes

    Entrevista concedida a:

    Carlos Augusto Donato (in memoriam)

    Luís Augusto Zakaib

    Lucas Lima

    Marcelo Corrêa da Silva

    O atleta Olivério Bazzani Filho (in memoriam) passou bem por uma bateria de perguntas feitas por nossa equipe. E não fugiu de nenhuma delas. Respondeu todas com seriedade e, às vezes, com bom humor. Símbolo do futebol de Araraquara, Bazzani não nasceu aqui. Veio jogar na cidade porque admirava a Ferroviária. Ele disse que se acha um autêntico dinossauro, não pela idade mas sim pelo desenvolvimento que teve na vida.

    Confira a íntegra da entrevista:

    Donato – Bazzani, quantos anos você tem e como você começou a gostar de futebol?

    Bazzani – Tenho 68. Cheguei em junho, em 35, vim de Mirasol. Lá meu programa de sábado era nadar no sítio do Moreira, jogar bola o dia inteiro e estudar. Então eu comecei a pegar uma certa habilidade com a canhota e o pessoal começa a escolher a gente pra pertencer a times amadores. Mirasol tinha um juvenil bom…

    Donato – Como é que você ficou conhecendo a Ferroviária?

    Bazzani – Então… Nós estávamos com um juvenil bom em Mirasol e nosso treinador era dinâmico pra essas coisas e começou a arrumar jogos de importância. Pegamos o Corinthians, por exemplo. Ganhamos de 3×1. Pegamos a Ferroviária e ganhamos de 8×0… Pegamos o time do Santos e ganhamos também de 8. Perdemos só pra Portuguesa e o time se destacava na região. Aí eu acabei indo pro Rio Preto…

    Donato - O Rio Preto era antes do América?

    Bazzani – Era mais ou menos na mesma época e eu acabei indo pra lá, mas eu tava na reserva e joguei uns três jogos só… Era um timinho modesto. Mas com 16 anos eu decidi ir pra Campinas e pedi pra minha tia que morava lá se ela me deixava ficar um ano lá pra tentar a carreira na Ponte Preta ou no Guarani, porque lá o juvenil era forte. Mas acabei indo pro Mogiana que tinha um estádio igual à Ferroviária. No Mogiana nós fomos bem. Chegamos até a final e perdemos a decisão dentro do campo, pro Guarani, por 2×1. Mas olha, eu vou te contar, eu não creio em macumba não, eu sou espírita e tenho a minha reserva, mas no dia da decisão do Mogiana – acho que foi num domingo -  no sábado de manhã me deu no peito do pé um tipo dum furúnculo. Fui lá me benzer e no dia não deu pra jogar, não podia chutar direito. Mas no outro dia eu tava bom. Eu pensei: “será que foi coisa errada?”. Eu nunca me esqueço disso… O Fluminense tinha um convênio com o Mogiana de que quando acabasse o campeonato ia três, quatro pro Fluminense. Então ficamos de ir Romeu, Roberto e eu. Mas antes, o Picolim me convidou pra treinar aqui e acabei ficando aqui mesmo.

    Donato – Não chegou nem a ir pro Fluminense?

    Bazzani – Não. Depois de um certo tempo aconteceu um negócio. Eu fui treinar no Fluminense, eles tinham ido de excursão e quando chegaram, eu cheguei lá, junto. Eu treinei com Castilho, Pingolo, Pinheiro, Duque, Edmilson, Bigode, Telê Santana, Robson, Valdo, Didi e Escurinho. Treinei com esse time aí. Um time bom, rapaz! Mas eu já tinha contrato com a Ferroviária e, como o Luva, eu pretendia ir pro Fluminense, eles estavam interessados e eu peguei o papel pra ir treinar lá. Chego lá e vejo na cláusula contratual “o atleta terá o passe livre no contrato” e tinha um vírgula com um ponto em cima “se o clube não se interessar no mesmo”. Então eu fiquei preso e o pessoal lá do Fluminense me tratando como rei na pensão. Aí eu falei assim pro Genivaldo, centroavante: “me empresta um dinheiro pra viagem que eu te mando. Eles tão dando lá na rádio América que eu vou assinar contrato aqui e eu não posso, é sujeira, vou ficar preso em dois lugá.” e larguei o Fluminense. Quando cheguei aqui, xinguei o Picolim: “pô Picolim, que mancada” e ele disse “mas isso é coisa de contrato, você não leu o contrato…”.  A gente era novato, inexperiente…

    Donato – Esse foi o primeiro contrato que você assinou, com a Ferroviária?

    Bazzani – Foi, mas depois o Fluminenese veio umas duas vezes atrás de mim ainda e eu tava aqui na reserva, louco pra jogar. Eu pensei: “eu vou lá pro Fluminense, eles querem me levar mesmo”. Lá o juvenil é até vinte anos e então eu falei com o Dr. Ermínio Amorim pra me liberar: “eu preciso me virar, tô sabendo que eu não vou ser aproveitado”. E com razão, porque o meia tem que ter certa experiência e eu era novo, tava começando. Aí ele falou: “aguarda até segunda-feira que eu dou um jeito”. A Ferroviária tinha um jogo contra o Paulista de Jundiaí, pro campeonato que já tinha começado e eu fui no Paratodos assistir dois filmes. A pensão era lá na rua 5, aí onde é a Uniara. Quando voltei à pensão, o Capilé (treinador) tava na porta e disse: “meia noite e meia, isso é hora de dormir?” e eu falei: “mas eu não tô concentrado…”. “Cê foi pra zona?” ele disse, mas eu tava no cinema. Tinha que pagar pra entrar no cinema mas a Ferroviária me deu uma carteirinha que eu entrava de graça… Fiquei um ou dois anos sem pagar um tostão no cinema.

    A Ferroviária tava pra subir e o Capilé falou pra mim que eu ia concentrar que tinha dado um problema com o Marinho Giglio, o meia esquerda. O Marinho era um meia raçudo, dava pau. No outro dia a diretoria comunicou que ele não podia jogar porque tinha uma falha na legislação, que é o seguinte: o jogador que é suspenso no fim do campeonato, por exemplo, se é suspenso no final do campeonato por três ou quatro partidas, tem que pagar essas partidas no próximo campeonato, no ano que vem, como dívida, e ele tinha três pra pagar, duas ou três. Aí, na hora do jogo, eu tô lá e me puseram pra jogar. Eu pensei: “é bom mesmo, assim, se não der nada, eu já pego o caminho da reta, né?”. Mas o ataque era bom, rapaz! Tinha Paulinho, Cardoso, Gomes e Boquita e esses caras jogavam demais, eu só tocava. Ganhamos de 4×1 e eu fiz um gol, aí fui lá falar com o Dr. Ermínio: “dá pro senhor dá minha liberação?”. “Não, você marcou gol e agora complica nóis aqui, deixa passar mais uma rodada ou duas e se o negócio começar a dar errado, aí te liberamos”. Só que no outro jogo, em Catanduva, eu marquei mais um gol de falta e aí fui ficando… “não, que assim você complica a diretoria e tal”, assim eu fiquei até hoje, com essa conversa.

    Donato – Você tinha o apelido de Rabi na Mogiana, certo? E aqui?

    Bazzani – Aqui também tinha. Esse apelido foi meu pai que deu porque tinha um jogador da Bahia que era amigo dele e que era centroavante e tinha o nome de Rabi. Meu pai jogou futebol também, jogou no Corinthians. Ele jogou no célebre jogo do Corinthians contra o Palestra. Foi 7×0 pro Palestra. Ele jogou de beque. Também jogou esse jogo e foi embora… Jogou dois, três jogos e foi embora.

    Lucas – Qual foi a maior goleada que a Ferroviária já tomou quando você estava jogando?

    Bazzani - O Guarani ganhou de 8×0 de nós. Mas a Ferroviária ganhou de 10 do Velo. Foi 10 ou 12, nem sei direito, só sei que passou de 10 gols…

    Donato – Depois de 10 não conta mais…

    Zakaib – Quem fez mais?

    Bazzani – Goleador era o Téia, esses caras aí…

    Zakaib – Me diz uma coisa, e essa história do Téia? Você pega a lista de artilheiros do campeonato e tem lá Pelé, Pelé, Pelé, Téia, Pelé…

    Bazzani - O Téia fez 20 e o Pelé, 18. Ele passou o Pelé no campeonato paulista. O Pelé acho que fez excursão, essas coisas, e deu uma falhada e o Téia foi lá e pumba. Outro cara que parece que passou o Pelé na artilharia foi o Peixinho. Ele era goleador em São Paulo, não sei de que time que ele era, só sei que veio de São Paulo pra Ferroviária e foi ele quem marcou o primeiro gol no Morumbi.

    Donato – Quanto tempo você ficou jogando na Ferroviária?

    Bazzani - Agora você me pegou. Foi de 54 até 63, 62. Aí fui pro Corinthians e fiquei até 65, joguei dois anos e meio no Corinthians. Aí voltei pra cá.

    Donato - Você ganhou algum título no Corinthians?

    Bazzani – Não tinha jeito de fazer título paulista no Corinthians aquela época.

    Donato – Época do Santos…

    Bazzani - Era Durval, Mingal, Toquinho, Pelé e Pepe, não tinha jeito. Falei um dia pro Brandão isso aí. Ele não gostou, mas eu falei. Eu queria ir embora e ele não queria que eu fosse, falei: “Brandão, se eu não for embora eu vou acabar apanhando e a torcida vai pegar o senhor de pau, tem que mudar”. Teve um jogo que o Vadico esquentou a cabeça porque a torcida do Palmeiras estava gozando com ele, porque não ganhava de ninguém. Aí ele ficou louco com aquilo e disse pra gente: “a parte da renda que couber ao Corinthians, nós vamos dar pra vocês, pra ganhar do Santos”. Deu umas 50 a 55 mil pessoas nesse jogo, lotou. Nós fizemos 2×2 no primeiro tempo. Eu marquei um gol e o outro foi o Ferreirinha, só que depois deram uma mexida no Pelé, que tava jogando do lado direito e começou a cair nas costas do nosso volante. Quando nós fomos acordar, já tava 5×2 pro Santos. Aí nós fizemos 5×3 e eles fizeram 6×3. Quando nós tava louco pra fazer mais gols, o Pelé foi lá e pumba, 7×3.

    Zakaib – O Pelé é mesmo muito superior a qualquer outro jogador?

    Bazzani – O Pelé é muito inteligente, muito inteligente pra época. Ele desenvolveu umas coisas, uns recursos… Eu, honestamente, pensei que ele era canhoto, ele só bate falta com a perna direita, não vi ele bater uma falta com a canhota e eu, como jogador, a gente tem essa dificuldade. O Pelé sempre tava com a bola e sempre tava de frente pros cara e eu pensei: “como é que ele consegue ficar sempre de frente tuda hora?”. Aí que eu fiquei observando, ele tem, na lateral, dois nas costas e o que ele faz? Se ele for lá, os caras toma na prensa e o que ele faz? Ele sai correndo e os caras saem correndo atrás dele, aí ele voltava e já ficava até meio curvo, pra sair em velocidade. Então isso é um recurso que tem. Isso era combinado, mas por exemplo, esse chapéu que o Pelé dá também é outro recurso que o Pelé tem pra não levar toco, porque ele é muito marcado. Cruza a bola, ele mata no peito e quando ele vai chutar o cara vem no desespero e ele pumba, dá o tapinha e o cara passa lotado, aí ele marca como quer. Ele não faz isso porque ele quer fazer bonito não, ele faz isso porque ele sabe que vem travado, que vem toco. Ele se utiliza de todos os meios pra fazer gol. Num jogo que nós apanhamos de 7×4, percebi uma tabela dele. Ele tava olhando pro Dorival, mas ele fez assim, tum, a bola saiu pra cá e eu olhei pra lá, o Pelé passou feito uma bala. Assim eles iam entortando a gente, não tinha jeito, ele era danado pra essas coisas… Outro exemplo: tem dois caras marcando ele, deu a bola pra ele, e ele sai da jogada porque sabe que vai tomar qualquer coisa, deixa a bola pros caras. Ele sai da jogada mas vira e já sai correndo porque sabe que a bola pode sobrar pra ele, tem uma sorte danada pra essas coisas.

    Zakaib – E ele dava porrada também?

    Bazzani – Ah, dava! O Pelé joga pesado… Lá na seleção do Recife, a seleção Cacareco, nós fomos jogar lá com eles e aquele jogo nós não fomos bem não. Tava jogando lá e vai pra lá, vai pra cá, vai pra lá e vai pra cá e o Pelé complicando… 0×0. Aí uma hora ele tentou uma jogada e foi pra lateral e o lateral direito deu um puntapé nele e jogou ele nos cascalhos. Ele ficou de joelhos, olhou bem o cara e não falou nada. Passou o placar e ficou 2×1 pra eles e…

    Zakaib - Era quem contra quem?

    Bazzani - Era a seleção de Recife contra a seleção. Aí, numa dividida, o cara foi chutar e ele entrou por cima, deu na perna dele. Não sei se o cara quebrou a perna, só sei que o cara saiu carregado. Ele falou: “quem der, vai levar, pode crer que tem troco”.

    Zakaib – Você estava em campo?

    Bazzani - Tava no banco ali, encostado no lado esquerdo.

    Donato – Aquela época era muito difícil de ser convocado pra seleção brasileira?

    Bazzani – Vai dos que convoca, né? Até hoje é assim. Aquela época, em 62, tinha 42 convocados e eu tava no meio. Segundo o pessoal da Gazeta, mas eu não acreditei muito não, tem muito cobra lá do Rio também… Iiiii, Peraí que me deu cãibra, joguei ontem e não tô acostumado a jogar (esticando a perna).

    Zakaib – Jogou onde ontem?

    Bazzani - O time master aí da Ferroviária contra Adolpo, cidade perto de Novo Horizonte, Rio Preto… Ganhamos de 2×1

    Zakaib - Você está na ativa então?

    Bazzani - Tô, mas me dá falta de ar… Tô com doença de velho, burcite, né? Faço assim (levantando o braço) e dói aqui no meio…

    Zakaib – Tá cansado de tanta homenagem, não? Este ano você foi homenageado na Estrela de Vila Santana, ficou em cima do carro alegórico, não?

    Bazzani - Foi bonita a festa, viu! O Edinho falou, os vereadores falaram, aquela vereadora antiga, como é que ela chama? A Deodata.

    Lucas – Diz uma coisa, você prefere as peladas que vocês fazem lá na Ferroviária ou as peladas lá do carnaval?

    Bazzani - Ai a coisa é feia… É muita animação! Eu falei pro coiso: “vocês tão me levando pra dancar mas eu não sei dançar. Eu vou ficar aqui e não sei pra que lado que eu vou”, mas deu tudo certo…

    Zakaib – Será que se você tivesse ido pro Fluminense não seria uma escola de samba de lá que te homenagearia?

    Bazzani - Mas você sabe que eu fiquei com medo de ir pro Rio? Quando o Fluminense chegou de viagem, veio uma mulherada em cima que eu pensei: “nossa, se eu cair aqui eu tô perdido”. O perigo é você cair na gandaia…

    Marcelo – Você tava falando do Pelé agora. E essa notícia que saiu agora, sobre a lista do Pelé, dos melhores jogadores?

    Bazzani – Mas você nunca contenta todo mundo… Não tem jeito. Eu acho que o Rivelino tinha que estar na relação, pô!

    Zakaib – A gente escuta falar muito do Pelé. E esses outros aí como o Diamante Negro, o Leônidas, você chegou a ver jogar?

    Bazzani -Eu vi o Leônidas jogar. Vi contra o Comercial do ABC. Eles tinham um Comercial também lá.

    Zakaib – E como ele era? Um craquão?

    Bazzani - Era um jogador rápido.

    Donato – Qual foi o jogo mais importante que você participou quando você estava na Ferroviária?

    Bazzani - Eu acho que foi nós com o Juventus, em Piracicaba, porque deu o título pra nós de retorno, em 66. Em 65 nós desmontamos o time, conseguimos desmontar o time e aí fomos viajar pra cumprir a última partida do campeonato, em 65, lá em Prudente, contra a Prudentina e perdemos de 1×0, gol do Careca, do Wilson Oliveira, pai do Careca, que tava acabando a carreira e marcou gol em nós. Aí tava com o Dudu Lauand e ele disse assim: “olha Bazzani, deste time que tá aí, vai ficar você, o Fogueira, o Coquinho e mais um outro”. Aí eu disse: “posso dar um palpite? Porque não o Téia?”. “Mas o Téia, todo mundo chama ele de Tetéia… E ele já tá negociado com o XV de Jaú”. Mas aí eu falei assim: “nós vamos disputar a segunda divisão e o Téia é lá de Fernandópolis, ele tá acostumado com o pesado e eu não sou diferente. Vai ter que encontrar alguém com a característica dele. Por que não deixa ele aí mesmo, que é nosso?” “Vamos ver então.” falou e acabou trazendo o Téia e o Jair de Mirasol. Aí o time virou uma máquina e foi direto pro título.

    Marcelo – Bazzani, e sua família? Você tem quantos filhos?

    Bazzani – Duas meninas e um moço.

    Donato – E ele não quis saber de jogar bola?

    Bazzani – Ele não é do ramo né, coitado…

    Zakaib – Não joga nada, é perna de pau?

    Bazzani - Vai querer chutar e dá de bicudo… O ramo é outro, sabe.

    Donato – Você não sobreviveu só do futebol, né? Você estudou, tem uma profissão.

    Bazzani - Sou dentista.

    Zakaib - Fez Odonto aqui em Araraquara?

    Bazzani – Foi. Eu só parei agora porque meu consultório tá defasado, tá cheio de contusão…

    Zakaib - Mas como foi? Você fez a faculdade junto com o futebol?

    Bazzani - Junto. Olha, só pra você ver, atualmente não dá pra fazer junto. Antes era um período só e geralmente à tarde. Eu devo muito minha ascensão no futebol pro Armando Renganesqui. Ele foi o primeiro treinador que eu tive e me deu uma colher de chá. Uma vez nós estávamos concentrados na Estância Suiça, em São Carlos, pra jogar não sei contra quem e eu tinha uma prova da faculdade, fim de curso e se eu faltasse, ia acabar sendo reprovado. Aí eu cheguei lá e disse: “Renga, eu vou pra Araraquara, faço a prova e volto, nem almoço lá em casa, eu almoço aqui mesmo” e ele chamou o Armando Prado e disse: “leva ele lá pra fazer a prova”. “Mas eu vou sozinho, doutor, não precisa não”. “Leva ele lá porque eu tô mandando e acabou”. Isso aí me deu uma reviravolta na cabeça, sabe por quê? Eu pensei: “devo valer alguma coisa pra esse homem fazer isso aí. Devo estar jogando muito…”

    Lucas - E como dentista você já operou muita cárie de dente de chuteira?

    Bazzani – Não, não. Isso é outra especialidade…

    Zakaib - Você é corinthiano, Bazzani?

    Bazzani – Sou, sou corinthiano.

    Zakaib – Tem alguma situação engraçada que você presenciou dentro de campo?

    Bazzani - Eu lembro muito sabe o quê? Confusão. Futebol é muita confusão e quando eu estava em Mirasol, nós fomos jogar em Rio Preto. Foi uma sensação lá, minha mãe e meu pai tavam assistindo e pá, pá, pá, 3×0 em dez minutos. Fizemos 3 gols, rapaz. Tinha um pretinho com a meia abaixada, eu não sabia que ele era malvado e ele tava marcando eu. Ele chegou perto de mim e falou: “o time de vocês é bom mesmo, hein!”. Marquei bobeira e ele tum!, me deu uma cabeçada no nariz e me jogou sentado. Ah rapaz, fiquei louco da vida e pensei: “filho da puta, me deu uma cabeçada”. Uma hora ele relaxou e eu chutei o calcanhar dele e ele saiu correndo atrás de mim do campo e ficamos correndo em volta do campo. Foi preciso tirar eu e ele pra continuar o jogo. Essa foi uma passagem triste que eu tive. Teve outra, que a gente tava jogando na Colômbia, tinha uns cinco, seis uruguaios no time deles. A gente tava no mesmo hotel e no jogo foi pau, pau, pau, 3×0 pra gente e um uruguaio calvo chegou perto de mim e fez assim (esticando o dedo indicador e o dedo médio e enfiando os dois dedos dentro do olho), quase me cegou e eu pensei: “mas que filho da puta de gringo, que gente malvada”. Aí eu preguei o pé no calcanhar dele e ele saiu correndo atrás de mim: “negro hijo de una puta, vou te matar, negro asqueroso!” Eu disse: “te dou no outro pé, vagabundo! Quer me cegar? Antes de me cegar você vai se ferrar!”. E nós quebramos o pau no meio do campo, tiveram que apartar. Aí acabou o jogo e eu pensei: “vai que ele me pega distraído e me dá um soco”, entrei no ônibus ligado e só tinha um lugar, ao lado dele: “puxa, agora eu tô ferrado!” E o pior é que ficou um silêncio danado no ônibus. Sentei devagarzinho, mas não aconteceu nada. Passou cinco anos e eu fui jogar lá de novo e sabe quem eu encontro? Ele.

    Marcelo - Quanto você está jogando bem, os caras vêm em cima, né?

    Bazzani - Você é caçado em campo. Desculpa a falta de modéstia, mas tinha fase que não me davam sossego, sempre tinha dois atrás de mim.

    Zakaib – Viu, você estava falando que tinha a carteirinha pra ir no cinema. Que tipo de filme você gostava de ver?

    Bazzani – Eu ia porque não estava acostumado a ir no cinema, caipirão…

    Zakaib – Mas o que você gostava de ver?

    Bazzani – Bang Bang, tiroteio, romance…

    Zakaib - Tem algum filme que marcou você?

    Bazzani – Ah, sei lá…

    Marcelo – Você não lembra de nenhum, Bazzani?

    Bazzani – Aquele com Clark Gable, “E o Vento Levou”. Aquele filme me marcou…

    Zakaib – E o vento levou a Ferroviária?

    Bazzani – Mas você sabe que a Ferroviária goza de um prestígio que você não imagina? Você vai em Piracicaba… ontem mesmo, esfolei a mão de dar a mão pros caras lá. É impressionante, o prefeito veio fazer aproximação, fizeram eu tirar fotografias com os caras…

    Marcelo – Este negócio de fazer com que a Ferroviária seja tratada como empresa é uma solução pro futebol de uma maneira geral, pro futebol contemporâneo. E você, que vê as coisas bem de perto, com encara isso?

    Bazzani - Você sabe que é a crise no país que tá afetando tudo isso. A Ferroviária, com essa coisa de ser campeã do mundo, valorizou muito os jogadores e então eles ganham demais e o clube não consegue manter. Até a sociedade anônima pula fora, larga o time. Eles querem ter lucro. Agora você quer ter lucro pagando 400 pau por mês, como o Santos queria fazer com o Romário? Onde já se viu fazer uns pagamentos desse aí? Deus me livre, isso arrebenta com o clube. Se você paga 400 pro Romário, tem que pagar 150 pros outros jogadores regulares. Tem que dar uma certa aproximação, pro cara não ficar enchendo o saco. Outra coisa: se cobrar 3 reais o ingresso, lota o campo, agora põe 20 como fizeram outro dia, não vai ninguém. Eles não podem pagar! O ingresso tem que ser 5 ou no máximo 8 reais. Eu não sei o que faz o Barcelona, que tem 100 mil sócios registrados e eles não têm problema de dinheiro. Eles armam o time já em janeiro e pagam tudo com o excesso de dinheiro que têm, já nós, não!

    Zakaib – No Brasil quem que você acha que é o melhor atualmente?

    Bazzani – Eu acho o Robinho. Aquele neguinho tá sendo uma surpresa. Eu não achei que ele ia ficar tão bom assim não. Tá fazendo gol quase todo jogo. Eu acho ele mais eficiente pra ir pro gol que o Diego, que joga só em sentido do gol, o Robinho gosta mais de enfeitar e ele não tá errado não, ele agrada mais.

    Zakaib – E dos brasileiros que estão jogando fora?

    Bazzani – Eu fico com o Ronaldinho Fenônemo, tem mais físico.

    Lucas – Então o Donato seria um bom jogador porque tem um bom físico?

    Donato – Eu tenho um físico lento, sou corpulento…

    Zakaib – E de uma maneira geral, você acha melhor essa geração ou a geração dos dinossauros do futebol?

    Bazzani - Tudo evolui. As chuteiras, de primeiro, eram de couro só e hoje tem um tecido diferente. Tem caneleira. De primeiro não tinha a assistência técnica como tem agora, modificou bastante, evoluiu o tratamento ao jogador. Só o que tá atrapalhando é essa evolução monetária aí, isso tá ferrando os times…

    Lucas – Você tem alguma marca registrada? Assim com o Pelé, que tinha aquele pulinho quando fazia gol? O que você faz quando faz um gol?

    Bazzani – Eu tenho só dois ou três gols que eu exagerei na comemoração. Um foi lá em Barranca Vermelha, tava um jogo duro, rapaz! 2×0 pra nós e eles baixando o cacete na gente, eu acertei um na veia e pum, 3×0 e fui pro banco. Aí o Pelé marcou um: 3×1 e ele começou a complicar a vida da gente. Só dava o Santos e a torcida apreensiva. A treinador falou pra mim: “olha Bazzani, vai lá e vê o que você faz” e eu disse: ” vou fazer o que? Só se eu colocar um trator aí pra parar o Pelé. Eu não sou marcador, eu sou jogador de pegar e ir pro gol! O negão tá arrebentando com o time!”. “Não, vai lá, pisa na bola a acaba com essa folia deles” e aí vai, vai, vai e o jogo duro. Aí sobrou uma bola lá na frente e eu disse: “quer saber? Eu vou chutar daqui mesmo”. Rapaz, acertei um chute que o Cejas nem na bola foi, nem eu acreditei que eu tinha aquela força. Aí saí correndo feito doido em volta do campo…

    Zakaib – Qual é a sensação de ver a massa pulando e comemorando junto com você?

    Bazzani - Tem hora que dá vontade de chorar, porque você vê que é uma satisfação do povo, né!

    Donato - Você falou de gols bonitos que você fez, mas já fez algum gol contra?

    Bazzani – Tive perto, viu? Foi contra o Santista. O cara bateu o escanteio e veio na minha cara, assim: téin! Aí o Ainhane chegou assim e disse: “marca o Bazzani também, que tá foda!”

    Lucas – E gol olímpico, já fez?

    Bazzani – Não, não.

    Lucas – De bicicleta tão pouco?

    Bazzani – Nem de bicicleta.

    Marcelo - Tem ideia de quantos gols você já marcou em sua carreira?

    Bazzani – O Moreira tava marcando pra mim e ele contou 221 gols. Mas são coisas que ele lembra, amistosos… Eu era meia esquerda. Olha, não parece, mas o futebol, pra mim, foi grato. Eu consegui jogar entre jogadores de alto nível e é sempre uma alegria. Cheguei a ver Zizinho jogando, Tesourinha, Piaça, Ademir Meneses, Jair e Chico, que era a ala esquerda do Vasco da Gama. No Flamengo tinha Índio, centroavante. Olha, eu vi cada time! Eu joguei no Rio-São Paulo contra esses jogadores, o Flamengo, o Fluminense tinham times bons, mas o carioca é mais folgado que o paulista. O paulista é bom porque ele imita o europeu e joga mais pegando. O carioca não. Toma lá, me dá cá, você faz a sua eu faço a minha, quem ganhar vamos fazer festa…se vai lá pro sul, eles baixam o cacete, é uma tristeza.

    Donato – Me diz uma coisa, que time você gostaria de ter jogado e não jogou?

    Bazzani – Eu não posso dizer porque, por exemplo, o time do Corinthians era a minha paixão quando eu era pequeno e eu joguei nele. Melhor do que a Ferroviária não teve, então…

    Donato – Nem o Santos de Pelé?

    Bazzani - Não, porque só o fato de eu jogar caído lá do lado esquerdo e atrapalhar o negão, já tava bom. Eu tava com o pé no Santos, mas não fui. Tive oportunidade de ir pro Palmeiras também e acabei indo pro Corinthians.

    Donato – Um garoto que esteja interessado em começar uma carreira como a sua, o que você aconselha?

    Bazzani – Sabe como é? É fácil. Dependendo de onde mora, por exemplo, se ele mora em Campinas deve procurar o Guarani ou a Ponte, porque é duro você deslocar e procurar disputar júnior. Aí ele está sendo observado e logo encaminhado…

    Zakaib – E esse estádio de futebol com o seu nome lá no Selmi Dey? Que coisa, hein! Voce já pensou nisso?

    Bazzani – Você sabe que, pela lei, não pode fazer isso. Não pode nomear um prédio público com o nome de uma pessoa ainda viva… O pessoal de Araraquara foi muito afetivo comigo, sabe? Poucas vezes eu fui vaiado, mas eu nunca perdi a cabeça. Na boca do lixo, por exemplo, me pegaram de pau. Como treinador, quando jogador não, mas como treinador a coisa pega. Treinador é responsabilidade…

    Marcelo – O pessoal da cidade respeita você, não?

    Bazzani – Olha, você quer ver? Segundo o Moreira, eu fiquei 12 vezes treinador do time de cima. Uma, inclusive por dois, três anos. No júnior, nem sei quantas vezes fiquei. Tá certo que fiz uns erros, mas também fiz coisa boa. Ali tem a parte técnica e a parte moral, pra você dar uma arrumada pra jogador novo. E você tem que ser esperto, malandro não, mas esperto. Tem que saber respeitar torcedor…

    Zakaib – Jogar limpo, né?

    Bazzani – É, jogar limpo. Porque você pega aí, por exemplo, eu mesmo quis enguiçar com torcedor porque ele me tacou uma pedra e eu fui no serviço dele e falei assim: “olha, você xingar eu tá tudo certo, mas me jogar uma pedra me fura a vista. Eu vou te pegar no inferno.”. E isso já aconteceu com um torcedor do Comercial. Tacaram um negócio de telha, pegou a vista e o cara ficou cego. E aí sabe o que aconteceu? O Baú, aquela preciosidade, pega e fala assim: ” Bazzani, vamos no jogo do Comercial e não sei quê…”. “Olha! Tamo sujo lá…outro dia furaram a vista de um cara aí e pode dar problema”. “Não, que não tem problema e pé pé pé.”. Chegamos lá, o jogo rolando e um cara me reconheceu: “olha os filha da puta de Araraquara!” eu falei: “olha aí Baú, o que você me arrumou, você se vira sozinho porque eu vou sair correndo aqui e os cara não vão me pegar fácil não. Eu não vou esperar pra apanhar não! Eu vou sair do jogo daqui a pouco” aí eu falei que a gente ia tomar água e vazamos de lá…

    Zakaib – Tem muita rivalidade entre a região?

    Bazzani – O lugar que tem mais rivalidade, mas é pouco, é o Matonense. O Matonense queria a nossa desgraça. E o Matão está meio estrepado também, com finança.

    Zakaib – É geral, né? Qual a receita que você daria pro futebol do interior?

    Bazzani – Trabalhar intensamente pra evitar crise em cima porque, quando tem crise e você tem jogador, você tira e põe, mas quando não tem, tem que negociar, pagar luva, pagar salário alto.

    Marcelo – Se alguém fala que você é um dinossauro do futebol araraquarense, isso deixa você orgulhoso?

    Bazzani - Isso é até motivo de orgulho, porque você jogar futebol nos timinhos do Brasil não é fácil não. Tem muito jogador que não trabalha honestamente, que só quer quebrar e aparecer. Jogador tem que se cuidar, aparecer em bom traje, não vir com esses cabelos rastafari e essas coisas berrantes…

    Marcelo – Acho que é pra compensar pela falta de futebol…

    Bazzani – Eu acho que é um exagero e é bom você evitar porque tem gente que se invoca. O time vai mal e ele vai lá e começa a pintar o cabelo, parece um viado.

    Zakaib – O Kaká é um exemplo disso, não é? Um cara que não usa brinco, não tem piercing, não tem o a cabelo pintado…

    Bazzani – E é praticamente um dos maiores jogadores do mundo. Hoje ele é. Ele tem uma inteligência rara. O Kaká é esperto, rápido.

    Lucas – Bazzani, já que você é o dinossauro do futebol aqui em Araraquara, me diz onde você acha que estão os seus ovos, quem serão os futuros Bazzanis aqui?

    Bazzani – No futebol amador. A Ferroviária tá cuidando do futebol amador. O Douglas Neves é um bom treinador e tem experiência, passou lá na escolinha comigo. Se você arrumar a vida do jogador novo, dar passe de ônibus, uma ajuda de custo, o jogador se revela. Você pega por exemplo um jogador e paga pra ele 200 reias. Pra ele isso é uma fortuna, porque é moleque e incentiva pro que ele vai ganhar mais pra frente. Eu levava uma fé no Lei, aquele pretinho, ele tá por aí e tá se batendo pra se fixar, é habilidoso, imita o Robinho. É magrinho e dá umas pedaladas bem mesmo. Eu esperava também do Miltinho, um ponta direita magrinho. Nossa Senhora! Um demônio pra jogar, mas infelizmente não seguiu carreira.

    Marcelo – E o futebol feminino? A Ferroviária chegou a se campeã, não? Você acha que tem que ser investido ou isso é coisa de homem só?

    Bazzani - O Fernandão que toma conta disso e deve ser investido. É só trabalhar honesto. A mulher não joga basquete? Por que não pode jogar futebol? As americanas são campeãs mundiais, tem recurso e tudo…tem uma mulher nos Estados Unidos que pelo amor de deus! Aquela mulher, se colocar um coisa pendurada lá, você diz que é homem. Forte rapaz…

    Donato - Você, quando esteve fora da cidade, fazendo excursão com a Ferroviária, quanto tempo você ficou fora, quantos anos você tinha?

    Bazzani – 25, 26. Fiquei 90 dias. Portugal, Espanha e África. Eu ainda machuquei contra o Atlético Madrid e pedi pra vir embora porque tinha um mês pra recuperar da torção no tornozelo e não me deixaram: “não porque você não é mais bonito que os outros”. “Mas vou ficar fazendo o quê aqui?”. Quando eu fiquei em Luanda, Angola, eu fiquei sozinho enquanto eles tavam jogando em outra cidade e me arrumaram uma massagista. A mulher, coitada… hoje em dia é que o massagista tá se inteirando da profissão.

    Donato – Me diz uma coisa, o Garrincha ficou famoso por causa daquele drible da vaca, né? Hoje em dia, a gente não vê mais esse tipo de lance. É possível fazer isso ainda, ou o pessoal está mais esperto, fecha mais?

    Bazzani – É possível. Olha, outro dia eu tava no Maracanã e ia jogar Corinthians e Botafogo. Aí o Paraná mandou me chamar e disse: “você vai entrar hoje com a 11″. Eu disse: “tá bom” e ele disse: “você vai marcar o Garrincha”. Eu pensei: “mas olha, ele quer eu bem esse desgraçado! Marcar o Garrincha?”. Tinha umas 40 mil pessoas no Maracanã e eu fui lá marcar o homi. Ele vinha correndo com a bola e eu e o Aleco ia atrás e ele deixava a bola com aquelas pernas tortas. Ele tem um torque muito forte e ele dava o torque e a gente não conseguia chegar nele. Aí eu falei pro Aleco: “olha, você vai prum lado que eu vou pro outro” e o Aleco disse “porque você não vai pra puta que o pariu?”. “Cê tem que brigar com ele e não comigo, vamos pegar o cara”. Aí o Garrincha inventou de ir pra trás assim com o pé e parava. Saiu correndo pra dentro e pisava na bola e ficava olhando pra torcida. Ele judiou de nós, viu?

    Lucas – Bazzani, diz uma coisa: seus instrumentos de trabalho são os pés. Você cuida bem dos pés? Você tem chulé?

    Bazzani – Não, não tenho chulé não.

    Marcelo – É verdade. Dizem que pé de atleta é tudo detonado, né?

    Bazzani – Você sabe que uma vez eu passei uma bruta vergonha por causa disso. Eu fui pra seleção paulista e veio uma cara e começou a pegar no meu pé. Quase dei um soco no cara: “quem é esse cara que vem pegando no meu pé?”. Era o calista. Eu não sabia que era o calista!

    Zakaib – Quando o atleta começa a fazer sucesso, quem começa a pegar no pé é a mulherada, né? Como é essa tietagem?

    Bazzani – Nossa Senhora! O lugar que a gente ia com o Pelé e o Gilmar, Deus me livre! O Gilmar porque é pintoso, o Pelé porque é famoso…

    Zakaib – Vira e mexe aparece um filho novo do Pelé. Acho que é dessas situações…

    Bazzani – Uma vez nós fomos em Uberaba num jogo e pra entrar no hotel demoramos uns quinze, vinte minutos. “Pelé, Pelé!!”. Nossa Senhora!! Vamos pra Salvador na Bahia e o aeroprto é distante, acho que, uns 17 quilômetros do centro da cidade. O Pelé inventa de ir no banheiro urinar e não conseguia por causa da mulherada. E beija ele, grita. O Pelé tem paciência, viu. Acostumou…

    Marcelo – Algum cuidado especial com o pé antes da partida? Balde de gelo?

    Bazzani – Gelo. Quando leva pancada tem que por gelo.

    Zakaib – Bazzani, você aceita fazer um jogo contra o time do Caricato? Quem você acha que ganharia? Sugira um placar.

    Bazzani – Jogamos. Mas os dinossauros ganhariam de 2×1.

    Lucas – Você se considera um dinossauro?

    Bazzani – Considero, e sabe por quê? Porque tudo que eu fiz tá tendo a consequência no futuro.

    Donato – E você se deu bem na vida?

    Bazzani – Eu me dei bem, não posso reclamar. Dinheiro eu não ganhei, mas também não tive doença. Devo muito a meu pai que é espírita e foi um homem bom até morrer. Eu sei que pra uns, morreu, acabou. Mas como eu sou um dinossauro espírita, eu acredito que tem mais por aí e isso já é um consolo.

    publicado originalmente em

    | O Caricato | número 5 | maio/2004 |

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