
Sinais e Vultos
texto e fotos por Douglas Theodoro
Todas as manhãs, quando acordo, no estreito limiar entre os sonhos e a pretensa realidade, vem à tona a lúdica esperança de que o caos assumiu novamente o seu papel decisivo no complexo dinâmico da vida, e, mais uma vez, nivelou por baixo nossa torpe e errante existência humana em sociedade.
Porém, com a mesma celeridade com que se torna gritante em meu peito, esta esperança se dissipa quando abro a janela do meu quarto e constato, frustrado, que tudo está no seu (in)devido lugar:
- Elites no topo, mantendo-se incólumes, puras e alienadas sobre o cotidiano massacre da (sobre)vida dessa massa adormecida, por uns chamada de Povo.
- A massa, desesperada, lutando como um cão pelas sobras do sistema, vivendo sem esperanças, mas com a fé – inútil – na recompensa eterna de um deus, senão morto, ausente.
- Eu, arrogante, anárquico e frustrado, tentando capturar recortes da realidade que possam despertar o gigante adormecido e destruir esse monstro devorador de vidas, auto-intitulado sociedade.
publicado originalmente em
| O Caricato | número 5 | maio /2004 |
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9 abril 2010 as 7:42 pm
Quando cada indivíduo se modificar, efetivamente ser um exemplo, vivenciar o caráter, a bondade, uma conduta correta, a sociedade será o espelho disso: será boa, solidária.
Não é o meio que faz ou modifica o homem. É o homem, consciente, evoluído, que modifica o meio.
Não será impondo regras anárquicas aos outros, nem sofrendo pelo sofrimento dos outros, que o mundo será modificado, melhorado.
Douglas N. Souza
22 junho 2010 as 8:57 am
É isso ai Douglas, bacana demais Sinais e Vultos. Quando tem nova página?
16 setembro 2011 as 9:14 am
Quem usa Anarquia como sinônimo de kaos mostra que não tem a mínima ideia do que está escrevendo. Anarquia não se impõe. Anarquia é o extremo do respeito ao próximo, sem a hipócrita bondade cristã.